Então vamos falar de “Os 13 porquês”

Hoje resolvi falar sobre as minhas impressões a respeito da série que está bombando em todas as redes sociais, especialmente entre os adolescentes – Os 13 porquês.

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Eu não li ainda o livro, embora ele esteja na minha lista desde que li (e adorei) Perdão, Leonard Peacock, que também tem a temática do suicídio. Minhas opiniões, portanto, se baseiam apenas na série!

A série Os 13 porquês

Achei a premissa muito instigante, desde o primeiro episódio. Dava vontade de assistir mais, uma série que fica mesmo na cabeça. Queremos saber, a princípio, qual era a ligação do Clay com a Hannah. Posteriormente, o que ele pode ter feito a ela.

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Os primeiros seis ou sete episódios pra mim foram muito bons, me deixaram com vontade de assistir mais. Mas depois, na minha opinião, começou a ficar meio cansativo. É claro que tem todo um motivo de peso para a série ter treze episódios, mas a questão é que não era necessário um episódio inteiro para cada motivo, e isso deixou alguns episódios meio maçantes pra mim, com a sensação de muita encheção de linguiça.

Hannah Baker

Minhas considerações sobre a Hannah Baker: Hannah era uma menina muito doce, divertida, alegre. Não tem o perfil caricato da pessoa que sofre bullying na maioria dos livros e séries, e eu achei isso super interessante na série. Mostra que uma garota que é bonita, jovial e bem humorada, também pode ser o alvo de ataques psicológicos, e também pode sofrer com isso, levando a consequências enormes.

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Depois de ouvir os treze porquês apresentados por Hannah através das fitas, preciso dizer que alguns deles soaram meio fracos pra mim, ao menos para um desfecho tão grave. É claro que é compreensível que uma pessoa que já está abalada psicologicamente por outros motivos, vê em atos menores mais uma soma para a sua bola de neve, o que eu acredito que aconteceu com a personagem Hannah. Algumas atitudes ruins que tiveram com ela, talvez seriam facilmente superadas e até perdoadas em uma vida comum, mas ela não tinha mais uma vida comum e ficou sobrecarregada.

É importante lembrar que a mente de um adolescente não funciona como a de um adulto, e isso é comprovado cientificamente: um adolescente acha que o que ele está vivendo vai durar para sempre, vai doer para sempre. Por isso é cruel julgarmos tão severamente o que eles consideram um drama pessoal.

Clay

Clay é o grande destaque da série, é ele quem está ouvindo as fitas com os 13 porquês, e a medida que ele se deixa envolver por elas, quem assiste descobre mais sobre os sentimentos que ele próprio nutria por Hannah. Pelo que tenho acompanhado, é um personagem que ganhou o público da série.

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Sobre os porquês

Hannah é feita de chacota no seu ambiente escolar, o que é bem grave, se pensarmos que é um lugar onde o adolescente passa a maior parte do seu tempo. Ela é humilhada, apontada e extremamente carente de uma amizade sincera.

O abuso sexual, que ao meu ver foi o que decretou de uma vez o fim à vida da Hannah, entre outras atitudes graves dos colegas, trouxe uma cena muito chocante e horrível de assistir. Mais horrível ainda o fato da série ter acabado sem vermos algum desfecho de punição para o Bryce.

Mesmo o abuso à Hannah tendo ficado para o final, deu o tom à quase todos os personagens da série: a covardia do Justin, a angústia e confusão mental da Jess, a submissão disfarçada de “broderagem” entre os amigos. Toda essa história do estupro cumpre bem o seu papel, porque o telespectador sente raiva do Bryce, e se indigna com a atitude dos demais diante do que ele fez.

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Uma das maiores agonias que eu senti diante disso foi o fato de ele não acreditar que o que fez foi errado e criminoso, sendo arrogante, machista e monstruoso. Isso nos dá uma pequena noção do que deve sentir uma vítima de abuso, que vê o seu algoz, e muitas vezes a própria sociedade, culpando ela mesma.

Outra cena horrível foi a do próprio suicídio de Hannah. Eu não imaginei que iam retratar em tantos detalhes, e é mais uma cena bem sucedida na sua intenção: dá desespero e muita aflição. Destaque para a atuação da Kate Walsh na cena em que encontra Hannah na banheira.

Pontos positivos da série, na minha opinião

  • Alerta sobre o bullying em geral: ele pode estar acontecendo com qualquer pessoa, ninguém está livre disso. Mostra que pessoas próximas a nós podem estar carregando um peso do qual não fazemos a menor ideia. Conhecem aquela frase batida das redes sociais? Ela é bem real. “Cada pessoa que conhecemos está travando uma batalha, sobre qual você não sabe nada a respeito. Por isso, seja gentil, sempre”.
  • Muitas vezes somos inconsequentes com o próximo, e não temos noção de que até uma atitude que julgamos idiota, pode fazer toda a diferença na vida de alguém e fazer o seu copo transbordar.
  • É um incentivo à gentileza e maior preocupação. Faz as pessoas pensarem se, de repente, podem ajudar alguém que talvez esteja passando por uma situação parecida a de Hannah, querer se informar e saber mais sobre ela. Como Hannah diz no final: as pessoas não se importaram o bastante, e isso fez diferença.

Pontos negativos da série, na minha opinião

  • A série é boa, e a discussão toda que vem acontecendo em torno dela também é muito importante, porém um tanto perigosa, ainda mais em um público alvo mais jovem. Particularmente, eu não acho que a série romantizou o suicídio de forma alguma, mas pensando em jovens mais propensos a depressão, acompanhando a personagem Hannah sendo tão aclamada e adorada nas redes, e seus vilões sendo demonizados, me preocupa. Li um texto muito interessante hoje, que ressalta que os objetivos da Hannah foram alcançados na série, porque o enredo precisava que isso acontecesse. Não necessariamente isso aconteceria na vida real, não necessariamente os causadores do sofrimento dela sofreriam essa “vingança” psicológica. Na verdade, infelizmente, na maioria das vezes as pessoas que causam sofrimento às outras nem se dão conta, e muitas vezes não se importam.
  • Em alguns momentos da série, achei a responsabilização pelo fim da vida de uma pessoa à outras pessoas exagerada. O conselheiro estudantil, por exemplo… Hannah encarrega a própria vida, sua última chance de viver, a ele, na sua última fita. Ela coloca sobre ele uma responsabilidade enorme e impossível, sem que ele saiba disso. Sim, ele foi omisso diante da gravidade do que ela estava dizendo, falhou em deixá-la ir embora em um estado psicológico abalado, mas é importante salientar que colocar o peso da própria vida nas atitudes de outra pessoa não é certo, nem justo com ambas as partes. Como diz o extra da série, com depoimentos dos atores e da Selena Gomez, que foi produtora executiva da série, Hannah não fez tudo o que pode, e também é culpada pela sua decisão. Ela não é uma heroína, é uma vítima.

Cumpriu sua missão

Com pontos positivos e negativos, é possível absorvermos o que de melhor a mensagem final tem para nos passar, nos responsabilizarmos mais, não pela vida do outro, mas pelo impacto que podemos ter sobre ela, mesmo sem saber. Se é um incentivo para mais cautela e empatia, então é uma série que cumpriu mais do que o seu papel.

E você, o que acho de Os 13 porquês? Conta pra gente nos comentários!

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Um comentário

  1. Clayci 13/04/2017 Responder

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