5 Livros Para Ficar em Depressão Pós Leitura

Todo leitor já ouviu falar em depressão pós leituraressaca literária. Os livros tristes são MESTRES nisso. E para um livro ser triste, na minha opinião, ele não precisa necessariamente ter um final infeliz. Existem várias histórias que tem um desfecho que pode ser considerado feliz, mas com tragédias ou cargas emocionais durante o livro que baqueiam quem lê.
Selecionei nesse post 5 livros para ficar em depressão pós leitura, entre os meus queridos, para falar um pouco sobre eles.

Boa fossa!

Para ficar em depressão pós leitura

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1 – A cidade do sol – Khaled Hosseini

Esse foi um dos livros mais fortes que eu já li na vida e entrou para os meus favoritos definitivamente. Já o resenhei, para conferir, clique aqui.

Basicamente, é a história de duas mulheres afegãs que tem as suas vidas cruzadas muito inesperadamente. Até então, Mariam e Laila tinham histórias de vida muito diferentes, até se verem exatamente na mesma situação, cada uma em uma fase diferente da vida.

Além do livro se passar em um Afeganistão em guerra, sob comando do talibã e um terror total instalado, o foco na profundeza dos  personagens é tocante. A história de vida que cada um deles carrega e a forma que isso se reflete em seus destinos causa um impacto desde o início.

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Não tem como não amar Mariam e Laila e nem tem como deixar de sentir a dor delas quando são feridas (física e psicologicamente)
É um livro especial que muda a vida de quem o lê, por isso o recomendo para todos. Já li várias resenhas de pessoas que o abandonaram por considerarem seu início parado. Apesar de comigo não ter sido assim (ele me pegou desde as primeiras páginas), se eu pudesse dar uma dica, seria: não desista dessa história! Ela vai fazer parte de você para sempre. É depressão pós livro certa.

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A carta endereçada à Mariam no fim do livro foi um dos momentos mais fortes para mim.

2 – Dançando sobre cacos de vidro – Ka Hancock

Também já resenhei esse livro AQUI.

O livro conta a história do casal Lucy e Mickey, ambos com um histórico médico assustador o suficiente para que abrissem para sempre mão de ter filhos.

Lucy vive se prevenindo contra o câncer e Mickey lida diariamente com o transtorno bipolar, tomando medicação e sendo internado eventualmente quando tem crises esporádicas. Uma reviravolta muda a vida dessa pequena família e nós participamos com eles dessa montanha russa. A escrita é tão maravilhosa que eu consegui enxergar a pequena cidade onde moravam as irmãs de Lucy, a vizinhança bondosa. Lucy é forte e encantadora e é agradável ter a história contada por ela.

Com Mickey o leitor tem menos contato, mas nada que nos impeça de torcer muito por ele.

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Enfim, mais um livro para desidratar e curtir aquela depressão pós leitura.

3 – O caminho para casa – Kristin Hannah

Esse livro foi a minha primeira experiência com a Kristin Hannah. Eu o tinha parado há um tempo e um belo dia peguei para ler. Sabe quando você termina um livro e não se conforma por ter tido por tanto tempo uma história incrível parada ali, bem diante do seu nariz, sem ser lida?

Foi exatamente o que me despertou O Caminho Para Casa. A escrita de Kristin é lenta, ela te ganha aos poucos. Isso não tornou a leitura maçante ou cansativa para mim, pelo contrário, o começo do livro é interessante apesar de retratar mais a rotina, com poucos acontecimentos de impacto. É uma tática inteligente da autora, ela te transforma em parte da família de Judy, você vai convivendo com eles nos detalhes e quando se dá conta, faz parte daquilo. Por isso, quando a segurança dessa rotina familiar é ameaçada, inevitavelmente o leitor sofre o impacto junto com os personagens.

A trama conta a história de Judy e Lexi (para mim as grandes “donas” dos núcleos). Judy é uma mãe superprotetora de um casal de gêmeos, e tem pavor que qualquer coisas de mal aconteça a eles. Lexi é uma adolescente com histórico de abandono, que finalmente encontra uma familiar para acolhê-la, sua tia Eva. Recém chegada, ela cria uma ligação forte com os filhos de Judy e isso faz com que se torne parte da família.

Um dia, porém, o maior medo de Judy se concretiza e acontece uma tragédia que muda a vida de todas essas pessoas para sempre. Aí, meu amigo, senta que lá vem tristeza. Acompanhamos o luto emocional de todos os personagens, não só pelo acontecimento em si, mas por suas próprias vidas, que deixam de existir, isso é um fato, eles nunca mais serão as mesmas pessoas.

Separei mais vários livros da Kristin para ler, como adoro um bom drama, mas a depressão pós livro nesse caso durou tanto tempo que ainda não tive coragem de pegar nenhum.

4 – Éramos Seis – Maria José Dupré

Esse é um clássico nacional e o meu livro favorito da vida. Já perdi as contas de quantas vezes li e assisti a adaptação em novela.

O livro conta a história de uma família paulistana em meados de 1920. Dona Lola é mãe de quatro crianças pequenas e esposa do autoritário Júlio. Ela desempenha o papel que se espera de uma mulher da época: cuida da casa, das crianças e do marido, além de costurar para fora para complementar a renda apertada. Júlio trabalha em uma loja de tecidos e tem o sonho de crescer na vida, o que o torna muito amargo e desiludido, descontando muitas vezes na família seus fracassos pessoais.

A história se desenrola a medida que as crianças crescem, quatro irmãos completamente diferentes um do outro. Carlos, o mais velho e o mais amigo da mãe, cordato e obediente. Alfredo, o rebelde, que vivia reprovando na escola e dando dor de cabeça para os pais. Isabel, a única mocinha, de personalidade forte e a preferida do pai. Por fim, Julinho, o caçula, meio materialista e com mania de riqueza.
A rotina da família é muito real e sofrida.

Eles tem momentos felizes com coisas simples e muitas tristezas com as dificuldades da vida, como todas as famílias, e é isso que nos aproxima muito da história, mesmo ela se passando tão distante de nós, em uma época completamente diferente. Todos temos ou já conhecemos uma mãe como Dona Lola, totalmente dedicada à sua família, com o coração pertencente aos filhos, colocando-os invariavelmente a sua frente, mesmo que isso lhe custe a pouca felicidade.

O livro é triste, não só por alguns acontecimentos tristes, mas por ser uma vida de batalhas e sofrimento, que nos deixa esperando um final diferente, mais irreal, mais “melhorado”.

A forma como a família um dia tão unida vai se afastando é dolorosa e infelizmente comum e nos dá aquela sensação de depressão pós leitura. Maravilhosa obra de Maria José Dupré.

Confira a abertura da segunda versão da adaptação do livro para a TV, transmitida pelo SBT.

5 – A última carta de amor – Jojo Moyes

É até interessante escolher esse livro para uma seleção pequena, porque apesar de ter gostado bastante dele, não está nem perto dos meus favoritos.

Levei um tempo considerável para acabar e só engrenei bem depois da metade, mas dou a ele o crédito de história tocante, que marca e nos deixa o resto do dia com aquela sensação que só quem lê um livro marcante conhece.

O livro tem uma levada que eu particularmente não gosto: ele mistura dois tempos. Tem a protagonista do futuro e a do passado, e a história delas se cruza quando Ellie (a protagonista contemporânea) encontra algumas cartas endereçadas a Jennifer Stirling (a personagem dos anos 60).

Honestamente falando, quando me recordo desse livro, me recordo apenas da história de Jennifer e “B”. Ellie foi um tanto quanto desinteressante para mim na história e quando chegavam as partes do conflito que ela enfrentava eu ficava ansiosa para retornar ao passado, rs.

Ainda assim, mesmo na história de Jennifer, a leitura me foi um tanto quanto maçante. O final, porém, me fez avaliar o livro com 4 estrelas. É complicado falar dele sem dar spoiler, mas resumidamente, Jennifer acorda no hospital depois de ter sofrido um acidente e não se lembra de absolutamente nada.

Não existe química entre ela e seu marido e ela sente um buraco em sua antiga vida, para a qual não consegue retornar. Nisso, ela descobre cartas de amor escondidas, todas endereçadas a ela, assinadas por “B”. Assim, ela descobre que estava vivendo um relacionamento extraconjugal e disposta a fugir com seu amante.
Muitos anos se passam no desenrolar da história de Jennifer e inúmeras vezes o destino a separa do seu amor. Mais de quarenta anos depois, nas mãos de Ellie, essas cartas fazem a história ganhar vida novamente.

O final não é exatamente surpreendente, depois de um tempo você começa a desconfiar do que vai acontecer, mas nem por isso ele é menos maravilhoso e inspirador. Ele faz o livro ser muito bonito e certamente nos dá aquela depressão pós leitura.

Esperam que tenham gostado dos livros selecionados para ter depressão pós leitura e que considerem dar uma chance a eles. Quem já leu algum deles ou tem sugestões sobre mais histórias dentro desse gênero, mande nos comentários.

Abraço!

Confira a sinopse dos livros citados em nossa lista de depressão pós leitura:

2 Comentários

    • Sté 29/02/2016 Responder

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